Áreas de Atuação

Cálculos Renais



Cerca de 10-15% das pessoas são acometidas ao menos uma vez na vida por cálculos renais. A prevalência é discretamente maior nos homens, mas a associação com quadros infecciosos é maior nas mulheres, tendo em vista a maior frequência de infecções urinárias no sexo feminino.

O episódio agudo de cólica renal é bastante característico. A dor, considerada uma das piores dores já sentidas pelo indivíduo, costuma levá-lo a uma emergência médica para adequado diagnóstico e tratamento. 

A dor geralmente decorre da migração do cálculo do rim em direção à bexiga. O ureter é um conduto de fino calibre e quando apresenta-se obstruído pela presença de um cálculo desencadeia contrações de sua musculatura lisa e distensão tanto do ureter quanto do sistema coletor do rim a montante do local de obstrução. São estas distensão e dilatação as responsáveis pelo quadro de intensa dor referida pelos pacientes no momento da crise de cólica renal.

Tendo em vista o fino calibre do ureter, cálculos maiores de 0,4 cm apresentam maior dificuldade para serem eliminados espontaneamente. Entretanto, o calibre do ureter é muito variável de indivíduo a indivíduo e, se por um lado algumas pessoas conseguem eliminar cálculos ureterais com até 1 cm, em outros indivíduos mesmo cálculos menores de 0,3 cm podem tornar-se impactados e com baixa chance de eliminação espontânea. Cálculos ureterais que persistem impactados por mais de algumas semanas podem acarretar prejuízo irreversível à função do rim.

O ureter apresenta classicamente 3 pontos de redução de seu calibre: junção uretero-pélvica, cruzamento dos vasos ilíacos e meato ureteral. Entretanto uma regra geral pode ser aplicada: quanto mais próximo do rim o cálculo encontra-se impactado, menor a probabilidade de sua expulsão. Ou seja, cálculos obstruídos mais próximos do rim que da bexiga, apresentam menor chance de eliminação espontânea.

Pacientes acometidos concomitantemente por quadro de infecção urinária e cálculo ureteral obstrutivo necessitam tratamento desobstrutivo de urgência, tendo em vista o risco de evolução para um quadro grave conhecido como sepse urinária.

Os métodos de tratamento para cálculos renais e ureterais evoluíram muito nos últimos anos. Antes da introdução da litotripsia extracorpórea na década de 1980, o único tratamento disponível para cálculos que não poderiam ser eliminados espontaneamente era a cirurgia aberta, que envolvia uma grande incisão no abdômen e acarretava índice significativo de complicações como fístulas, hérnias, infecções de ferida operatória e problemas relacionados à cicatrização. Após sua introdução, a litotripsia extracorpórea tornou-se o método de escolha para o tratamento de cálculos do trato urinário, pois permitiu o tratamento dos cálculos sem a necessidade de cortes e com índice de resolutibilidade semelhante ou superior à cirurgia aberta.

A utilização de laser para a fragmentação de cálculos do trato urinário surgiu nos anos subsequentes e popularizou-se após a introdução da tecnologia do Holmium laser, que permite a efetiva fragmentação dos cálculos em qualquer localização do trato urinário. O Holmium laser é aplicado através da introdução de endoscópios de muito pequeno calibre, rígidos e flexíveis, que permitem a navegação por todo o trato urinário (uretra, bexiga, ureteres e rins). Dentre as tecnologias disponíveis, este método está associado aos mais elevados índices de resolutibilidade. As técnicas de litotripsia extracorpórea a ureterorrenolitotrispia com laser tornaram-se rotina na grande maioria dos centros médicos de referência e hoje são oferecidas como opção no tratamento de significativa parcela dos pacientes acometidos por cálculos do trato urinário.

Após a resolução do episódio agudo, seja espontaneamente ou através da instrumentação do trato urinário, é fundamental a adoção de medidas preventivas para reduzir a chance de novos episódios semelhantes no futuro. Neste sentido, a ingestão regular de água, a limitação no consumo de sal e a redução da ingestão de proteínas de origem animal são os pilares do tratamento preventivo. Para casos recorrentes ou com alto risco de recorrência, além das medidas dietéticas, é importante uma avaliação com exames laboratoriais específicos para descartar distúrbios metabólicos. Estes distúrbios, quando presentes, podem necessitar de tratamento medicamentoso específico.

Maiores detalhes sobre os procedimentos disponíveis para o tratamento de cálculos do trato urinário podem ser encontrados no ícone “Cirurgia Minimamente Invasiva”. CIRURGIA MINIMAMENTE